sexta-feira, 27 de março de 2026

27 de março – Dia Internacional do Teatro – Cadê o teatro pujante que se fazia em Aracaju em priscas eras?

Por que ninguém fala nada sobre a reforma do Teatro Lourival Baptista? Nem o governo e nem a oposição. Por que não há manifestação do curso de Teatro da UFS a esse respeito? E o Teatro Juca Barreto, do Cultart? E a imprensa: qual o órgão que destacou ou irá destacar a data de hoje, inclusive tratando do fechamento do Teatro Lourival Baptista com reformas que foram prometidas há cerca de dez anos?

Por que São Cristóvão, considerada a cidade sergipana que mais investe em cultura — embora seja necessário dados estatísticos para podermos afirmar com precisão — não coloca a construção de um teatro no radar, ou mais do que isso, um complexo cultural que pode ser um CEU das artes?

Sem falar no papel do Sindicato dos Técnicos e Artistas em Artes e Espetáculos, o SATED, que pode até estar fazendo algo para lembrar a data de hoje.

Daquilo que eu posso responder, a grande novidade está chegando do interior, com o 2º Festival de Teatro do Alto Sertão Sergipano, uma iniciativa do Grupo de Teatro Raízes Nordestinas, com sede em Poço Redondo.

As respostas podem ser encaminhadas com links. Na pesquisa, encontrei essa matéria importante da Mangue Jornalismo publicada no ano de 2024.

Teatro Lourival Baptista vai fazer aniversário de seis anos de descaso e abandono. Governo do Estado renova a promessa de reforma do prédio para 2024

Cristian Góes, Maiara Ellen

https://manguejornalismo.org/teatro-lourival-baptista-vai-fazer-aniversario-de-seis-anos-de-descaso-e-abandono-governo-do-estado-renova-a-promessa-de-reforma-do-predio-para-2024/


Seis anos de descaso e abandono: promessa de reforma renovada para 2024 (Foto Maiara Ellen)

Depois de ser fechado no ano de 2018 com a promessa de uma reforma, o Teatro Lourival Baptista (rua Laranjeiras, bairro Getúlio Vargas, Aracaju) encontra-se totalmente abandonado pelo Governo do Estado.

A fachada desse histórico equipamento de cultura já revela o completo descaso. Até parece que foi jogada uma bomba no prédio. Não há porta e sobra sujeira, vidro espalhado, restos de mobília, mato em todo o lugar e artefatos quebrados por toda parte.

“Na semana passada, ao me deparar com o espaço, senti um aperto no peito diante da situação em que nossa casa se encontra. Recordações significativas afloraram, desde as peças que presenciei no Festival de Artes Cênicas de Sergipe até as exposições e os antigos cartazes dos grupos que já passaram por ali. É lamentável,” disse Rônison Costa de Jesus, professor de teatro e do grupo teatral Menores Unidos, de Laranjeiras.

Situação do Lourival Baptista: isto aqui é parte do teatro (Foto Maiara Ellen)

Após o Teatro Lourival Baptista ser fechado em 2018, o Governo do Estado anunciou no ano seguinte uma reforma que seria feita pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e pela Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop). 

O anúncio da restauração do espaço prometia segurança no prédio por 24 horas, a fim de evitar atos de vandalismo e roubo no local. No entanto, a obra não saiu e denúncias feitas por moradores há alguns anos relatam um total descaso. Além do abandono físico, testemunhas encontraram no meio do lixo caixas de arquivos contendo documentos e materiais que guardavam informações sobre as apresentações que ocorriam no teatro.

Fachada do Teatro Lourival Baptista: descaso e abandono (Foto Maiara Ellen)

Teatro Lourival Baptista vai completar 57 anos: a arte do descaso

O Lourival Baptista foi inaugurado em 1967, com o intuito de cumprir as demandas das atividades extraclasses do Instituto de Educação Rui Barbosa (IERB). A estrutura do teatro era composta por camarins, sala de leitura e pesquisa, galeria de arte, assim como um memorial dedicado à preservação da história das artes cênicas no estado.

No ano de 2003, o espaço foi aprimorado, requalificado e oficializado como teatro, sendo por anos a casa das mais diversas manifestações artísticas e culturais de Sergipe. Eram marcantes os cartazes dos eventos, as temporadas de grupos de espetáculos, exposições.

O descaso e o abandono não são exclusividade do Teatro Lourival Baptista, mas o reflexo do cenário artístico e cultural do estado. De acordo com informações já divulgadas pela Mangue Jornalismo, uma pesquisa no Sistema de Informações e Indicadores Sociais (SIIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que Sergipe foi o terceiro estado do Nordeste que menos investe em cultura, apenas 0,8%.

Rônison Costa também ressalta que a cidade de Laranjeiras já abrigou dois teatros, o Santo Antônio e o São Pedro, nos quais companhias nacionais e internacionais realizavam apresentações. Atualmente, ambos permanecem fechados. O professor enfatiza que a precarização do cenário artístico local parece ser proposital, já que a arte é uma ferramenta fundamental para promover educação, libertação e questionamento.

Para o ator Lindolfo Amaral, diretor do Grupo Imbuaça, o mais antigo teatro de rua do Brasil, é necessário ampliar o debate para além dos espaços artísticos já conhecidos popularmente. Ele defende a importância de voltar a atenção também para os centros culturais de desenvolvimento de artes nos bairros periféricos que, muitas vezes, encontram-se fechados ou sem programações em execução.

Amaral destaca a necessidade de avaliar essa questão de maneira mais ampla, questionando a presença de teatros nas cidades. Ele aponta, por exemplo, para a situação do Centro Cultural de Aracaju, que se encontra fechado, onde existe o Teatro João Costa, mas a falta de apresentação é evidente.

Além disso, o ator ressalta a existência de espaços como os Centro de Artes e Esportes Unificados (CEUs), um no bairro Lamarão e outro no 17 de março, destacando a incerteza quanto à realização de programações nesses locais.

“O CEU é um centro cultural construído com recursos federais, destinado a promover ações artísticas nas periferias das cidades. São espaços voltados para múltiplas linguagens, equipados com teatro. No entanto, é importante notar que possuímos diversos equipamentos, por vezes ociosos, e muitas vezes desconhecemos se estão em pleno funcionamento.” explicou Amaral.

Governo renova promessa de revitalização do teatro

Sobre o descaso, abandono e “reforma eterna” do Teatro Lourival Baptista, o Governo do Estado, por meio da Funcap, divulgou uma nota afirmando que os recursos para a reforma do teatro já estão disponibilizados para o ano de 2024.

“Em 2023, houve um trâmite de desistência da empresa contratada para a reforma, e atualmente a Funcap está cumprindo com as etapas necessárias para que seja anunciado o início das obras. O objetivo da reforma do Teatro Lourival Baptista é transformá-lo, também, em um espaço multiuso que beneficie a cultura e a educação.” diz a nota.

No ano de 2021, a direção da Funcap também havia emitido um comunicado informando que a intervenção no prédio do Teatro Lourival Baptista já havia sido incluída na previsão orçamentária de 2022, entretanto, o teatro segue abandonado.

Por que 27 de março é o dia internacional do teatro e do circo?

O dia 27 de março celebra essas duas artes por motivos distintos, unindo uma efeméride de alcance global a uma homenagem nacional brasileira. 

Dia Mundial do Teatro 

A data foi estabelecida em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI), ligado à UNESCO. 

Origem: A escolha marca a inauguração da temporada do "Teatro das Nações", em Paris, ocorrida em 27 de março de 1962.

Propósito: Promover a arte dramática em todo o mundo, destacar seu valor cultural e incentivar o compartilhamento de conhecimentos entre comunidades teatrais. Todo ano, uma figura proeminente da cultura escreve uma mensagem internacional para a data; a primeira foi de Jean Cocteau. 

Dia Nacional do Circo (Brasil)

Embora muitas vezes referido junto ao Dia Mundial do Teatro, o Dia do Circo em 27 de março é uma comemoração específica do Brasil. 

Homenagem: A data foi escolhida para celebrar o nascimento de Abelardo Pinto, o palhaço Piolin, que nasceu em 27 de março de 1897.

Importância: Piolin é considerado um dos maiores palhaços da história brasileira, tendo sido aclamado inclusive pelos intelectuais da Semana de Arte Moderna de 1922 por sua habilidade técnica e criatividade. 

Desde a sua criação em 1962, o Dia Mundial do Teatro é marcado por uma mensagem escrita por uma personalidade de destaque, convidada pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI) para refletir sobre a arte e a paz. 

Aqui estão algumas das mensagens mais marcantes e seus temas centrais:

Mensagens Históricas e Atuais

Jean Cocteau (1962): O poeta e cineasta francês escreveu a primeira mensagem da história, destacando que o teatro é um fenômeno de "encontro" único entre palco e plateia.

Augusto Boal (2009): Único brasileiro a escrever a mensagem internacional. O criador do Teatro do Oprimido defendeu que "ser humano é ser ator", pois todos agimos e observamos no palco da vida.

Dario Fo (2013): O Nobel italiano usou sua mensagem para criticar cortes na cultura, satirizando o poder com o espírito dos antigos bobos da corte e artistas populares.

Jon Fosse (2024): O autor norueguês intitulou sua mensagem "A Arte é Paz", enfatizando como o teatro celebra o que é único em cada pessoa e, ao mesmo tempo, o que é universal na humanidade.

Theodoros Terzopoulos (2025): O diretor grego focou no teatro como uma forma de resistência espiritual e memória em tempos de crise.

Willem Dafoe (2026): O aclamado ator destacou o papel vital do teatro em um mundo fragmentado pela tecnologia, descrevendo o palco como um espaço essencial para o encontro humano real e a imaginação coletiva. 

Outros Autores Renomados

A lista de autores inclui nomes que moldaram a cultura do século XX e XXI, como:

Arthur Miller (1963)

Pablo Neruda (1971)

Judi Dench (2010)

John Malkovich (2012)

Isabelle Huppert (2017)

Helen Mirren (2021) 


Antonio Nóbrega abrirá a programação do Fazer Pensar Brasil com a aula “Cultura popular: um conceito em questão”

 

[GRATUITO]

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Antonio Nóbrega abrirá a programação do Fazer Pensar Brasil com a aula “Cultura popular: um conceito em questão” e as inscrições estão abertas.
O tema central de Antonio Nóbrega na aula inaugural do Fazer Pensar Brasil 2026, que acontecerá no dia 11/04, é a sua proposição de um outro modo de se nomear e dimensionar a cultura que nos acostumamos a chamar de folclórica e/ou de popular brasileira.
Outros assuntos, todavia, serão ainda abordados, entre eles:
🔹
Como se formaram as manifestações artísticas populares nos campos da dança, da música e da encenação teatral?
🔹
Face à excessiva mercantilização porque atravessa a arte no mundo, como situar a cultura brasileira dentro desse contexto?
🔹
Qual seria o valor intrínseco da chamada cultura popular? Existiria?
O Fazer Pensar Brasil promove a reflexão por meio de aulas abertas e palestras, vivências práticas de formas populares por meio de oficinas, e sambadas, encontros de música e dança onde o público participa ativamente.
🚨
Toda a programação é gratuita, mas requer inscrição prévia por meio de formulário.
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Cultura popular: um conceito em questão com Antonio Nóbrega
📆
11/04 das 10h às 12h
📍
Instituto Brincante // Rua Purpurina, 412 - Vila Madalena
👉
Inscrições através do link na bio
Este projeto foi realizado com o Edital CULTSP PNAB/PNCV n°48/2024 - Projetos Continuados de Pontos de Cultura do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura e Governo Federal.

Para mais innformações:



Será que rola um convite a Antônio Nóbrega para conferência, rodas de conversa e oficinas no Festival de Arte de São Cristóvão?

*Quem pega a visão? Fortalecer a cena hip-hop com recursos da Lei Aldir Blanc e da Lei Rouanet setorial

 É fortalecer a educação, a cidadania e a entrada de crianças e jovens no universo da poesia, da música, das novas tecnologias e mídias, do audiovisual, da pintura, da dança, da moda, do design, da produção e da gestão cultural. É assim que entendemos quando um jovem afirma: 'O hip-hop salvou a minha vida'. A Ação Cultural está junto com os companheiros e companheiras do Hip-Hop. 


Os artigos abaixo se conectam  com o programa acima:  Quem tem poder de influência e decisão, pegue a visão.. Ainda há tempo... Como afirma Criolo em uma de suas canções mais icônicas.



“A extrema-direita aprendeu que primeiro se conquistam as mentes, depois as urnas”. Entrevista com Franco Delle Donne

Em um mundo marcado pela crescente polarização política, aceleração tecnológica e redefinição dos marcos democráticos, a visão especializada se torna indispensável. Franco Delle Donne, pesquisador e jornalista, tornou-se uma referência sobre a ultradireita e o autoritarismo.

A entrevista é de David Valiente, publicada por Librújula, 24-03-2026. A tradução é do Cepat.

Nascido em Buenos Aires, em 1983, Delle Donne é doutor em Comunicação pela Universidade Livre de Berlim e mestre em Democracia e Governo pela Universidade Autônoma de Madri. Nos últimos anos, tem combinado pesquisa acadêmica com divulgação pública. Dirige o podcast Epidemia Ultra e colabora com veículos de comunicação como elDiario.es e El Orden Mundial, além de ministrar conferências.

Em seu ensaio Epidemia Ultra. Del fascismo europeo a Silicon Valley: Anatomía de un fenómeno que está conquistando el mundo (Península) traça as raízes ideológicas que conectam o fascismo europeu do século XX com as novas dinâmicas de poder emergentes no ecossistema digital. Propõe uma leitura ambiciosa e bem documentada: analisa as mutações discursivas, as estratégias culturais e o papel das plataformas digitais na consolidação de novas formas de radicalização política, levantando questões incômodas sobre o futuro das democracias liberais.

AQUI

IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes | Agência Brasil 



Atlas: Jovens até 24 anos, os mais beneficiados pela gestão Lula, são os que mais a rejeitam

Recorte do levantamento divulgado nesta quarta (25) é outro que carece de lógica. Grupo social é o mais contemplado pelo atual governo, mas quase 73% dizem não ao presidente.


https://revistaforum.com.br/politica/atlas-jovens-ate-24-anos-os-mais-beneficiados-pela-gestao-lula-sao-os-que-mais-a-rejeitam/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

Decisão histórica nos EUA: um tribunal de Los Angeles responsabilizou Google e Meta pelo vício em redes sociais entre jovens. A acusação não é só sobre conteúdo, mas sobre os algoritmos que prendem usuários nas telas.

O veredito foi alcançado em um julgamento que envolveu o partido, após uma queixa apresentada por um californiano de 20 anos. As empresas: Discordamos. O que acontece agora?

A reportagem é de Arcangelo Rociola, publicada por La Repubblica, 02-09-2024. 

Uma decisão judicial em Los Angeles está prestes a mudar radicalmente o debate sobre plataformas online. O Google e o Meta foram considerados responsáveis ​​pelo vício em redes sociais entre jovens. O veredito foi proferido em um julgamento sobre o vício em redes sociais. O processo teve origem em uma queixa apresentada por uma jovem californiana de 20 anos que alegou que o YouTube (Google) e o Instagram (Meta) alimentaram sua depressão, levando-a a ter pensamentos suicidas desde a infância.

A acusação feita contra a Meta e o Google não se refere apenas ao conteúdo hospedado, mas também à forma como as plataformas são construídas. Os advogados da vítima apontaram o dedo para os algoritmos de recomendação, o próprio cerne das redes sociais, aquelas ferramentas que sugerem o que assistir para nos manter grudados nas telas. Mas eles também culpam o sistema de notificações e a falta de filtros que impeçam o acesso de menores a conteúdo potencialmente prejudicial.

O que acontecerá a seguir é altamente incerto. Espera-se que milhares de ações judiciais semelhantes sejam movidas, especialmente nos Estados Unidos. Enquanto isso, a decisão pode levar a Meta e o Google a revisarem seu projeto, desativando recursos cruciais para seu algoritmo de recomendação. Na prática, trata-se de uma decisão que confere às autoridades judiciais uma legitimidade sem precedentes e, embora seja uma decisão de primeira instância, elas agora poderão impor restrições severas.

O caso de Los Angeles envolve uma jovem de 20 anos que afirmou ter se viciado nos aplicativos ainda jovem devido ao seu design atraente. A promotoria focou no design da plataforma em vez do seu conteúdo, dificultando que as empresas se esquivem da responsabilidade. Segundo o Pew Research Center, pelo menos metade dos adolescentes americanos usa o YouTube ou o Instagram diariamente.

Na última década, as principais empresas de tecnologia dos EUA têm enfrentado críticas cada vez mais severas em relação à segurança de crianças e adolescentes. O debate agora se deslocou para os tribunais e governos estaduais, já que o Congresso dos EUA desistiu de aprovar uma legislação abrangente para regulamentar as redes sociais.

Tanto a Meta quanto o Google criticaram a decisão de Los Angeles. A Meta afirmou que discorda "respeitosamente" da decisão. A gigante da tecnologia usou as mesmas palavras que empregou após a outra decisão de ontem, no Novo México. Um porta-voz do Google, por sua vez, comentou que a decisão "interpreta erroneamente a natureza do YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável e não uma plataforma de mídia social".

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Hip Hop além de um movimento artístico, também e uma pedagogia social, popular e libertadora, especialmente nas periferias. Nos atuamos como um processo de educação não formal que conscientiza, humaniza e instrui, promovendo a transformação social e a valorização da identidade de jovens negros e periféricos.  Ter um governo popular e acredita e investir na educação popular #pedagogiderua.








segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

O sucesso do filme "Ainda Estou Aqui" é uma vitória importante na luta da memória contra o esquecimento.

 


Vale muito ler a carta do jornalista Jamil Chade para a Fernanda Torres.

“O teu lugar nós já sabemos qual será: a do Oscar da democracia.”

“A resistência é nosso intransigente dever de memória, inclusive como homenagem a quem a perdeu.”

 “Em cada sessão que serve como uma espécie de antídoto à onda autoritária, vocês estão confrontando populistas, charlatães e vendedores de ilusão do século 21 ao afirmar que a democracia ainda está aqui. E que lutaremos por ela.”

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APÓS O GLOBO DE OURO. AINDA ESTAMOS AQUI. O SEGUNDO TEMPO
Romero Venâncio (UFS)
As polêmicas e debates sobre o filme nas redes digitais foram importante. Independente das concordâncias, criticas e acaloradas polêmicas sobre o significado do filme e mesmo com toda sua peculiar maneira de entender o país na época da ditadura a partir de uma família de classe média, foi importante para criar um caldo cultural que alimentou ainda as reflexões sobre o golpe de 1964 e a ditadura que seguiu... E todas as atrocidades perpetradas pelos militares e seus apoiadores. Era 2024: 60 anos deste golpe. O filme alimentou essa memória. Muitos jovens viram o filme. O debate começou a rolar solto. Houve procura pelo livro que está na base do filme.
Neste dia 05/1/2025, o filme (a atriz Fernanda Montenegro) ganhou um prêmio de projeção mundial: o Globo de Ouro. Uma premiação anualmente entregues desde 1944 pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (Hollywood Foreign Press Association) aos melhores profissionais do cinema/televisão no mundo. Fernanda Torres ganhou o prêmio de melhor atriz por "Ainda Estou Aqui", concorrendo na categoria “Melhor Atriz de Filme de Drama” com grandes nomes do cinema internacional. Além de Tilda Swinton, Pamela Anderson (The Last Showgirl), Angelina Jolie (Maria), Nicole Kidman (Babygirl) e Kate Winslet (Lee) estavam indicadas ao prêmio. Ou seja, projeção e vitrine mundial não faltará ao filme dirigido por Walter Sales.
SEGUNDO TEMPO
Após essa premiação e todos os seus comemorativos, acredito (e desejo!) que todo o simbolismo do filme: do prêmio aos debates; da divulgação mundial ao significado do tema do filme... Que tudo isto sirva para uma reflexão e mobilização contra qualquer forma de golpe e sem anistia alguma para golpistas. Nesta quarta 8/1 serão dois anos de uma tentativa de golpe (mais um na história do país!!!). Vamos fazer de conta que nada aconteceu? Vamos ficar dependendo unicamente de decisões do judiciário (ministro Alexandre de Moraes, em particular)? o impacto do inquérito da PF sobre os atos golpistas, como fica? esse importante inquérito da PF é um documento da mais alta importância. 884 páginas documentadas com rigor sobre a forma de preparação do golpe, seus mentores, aliados e trama. A coisa do golpe foi séria demais para ser esquecido. Até aqui, nada indica que não podemos ter mais tentativas de golpe a partir dos militares e seus bolsonaristas aliados. Existe no ar um clima de instabilidade institucional e isto não ajuda. Ou ajuda a golpistas de plantão.
Já que o filme despertou tantos debates acalorados após seu lançamento nos cinemas do Brasil, agora é a hora de ampliarmos o debate para a situação atual do Brasil. O filme precisa ser "instrumentalizado" para uma séria reflexões sobre os acontecimento de 8/1/2023. Não se trata de defender uma coisa ingênua e irrealizável: esse filme e seu prêmio mudaram a ordem das coisas nesse país que parece eternamente em transe, pelo menos, desde 2013. Não se trata de tamanha coisa sem sentido. Trata-se de aproveitar o momento (o "Kairós") do filme e sua repercussão e agitar o tema central do filme: memória, ditadura, corpos desaparecidos, prisões arbitrárias. trata-se de voltar ao debate sem apequenamento e superar a pequena politica que tem de ser superado do nosso horizonte.
O tema da ditadura pós-64 é um tema caro a grande parte da cultura brasileira. Marcou definitivamente este país. E sempre ronda como espectro da política brasileira. Tivemos entre 2018-20122 um governo civil eleito e que governou como militar. O estado foi inflado de militares por todos os lados e cargos. Um absurdo só. Voltou-se a uma "cultura militar" com Bolsonaro e seu bolsonarismo e ainda a lenda da competência, disciplina e seriedade dos militares. Ora, ora... Caiu tudo por terra ao se aboletarem mais uma vez no estado e vindo de um processo eleitoral, o que é mais grave. Fizeram um (des)governo desastroso.
Precisamos agir. Precisamos sair desse pesadelo. As ruas tem que ser nossa. 

"O cinema transforma o mundo? Não, o cinema pode transformar pessoas, ajudando a despertá-las para a necessidade de se colocar ao lado daqueles que pensam e agem em favor da alegria do mundo. Alegria com pão, trabalho e justiça. "ZdO, inspirado em Paulo Freire e Augusto Boal.




A infância de Bolsonaro entre quilombolas, guerrilheiros e a rica família de Rubens Paiva

aqui


Bolsonaro volta a atacar Lei Rouanet após vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro
Ex-capitão acusa governo Lula de priorizar cultura em detrimento da infraestrutura, apesar de dados contrários
06 de janeiro de 2025, 16:48 h

Leonardo Sobreira
247 - Jair Bolsonaro, que durante seu governo dedicou-se amplamente a atacar a cultura brasileira e a promover o desinvestimento no setor, aproveitou a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro para criticar a Lei Rouanet, marco institucional de incentivo à cultura no Brasil.

Bolsonaro mencionou em uma postagem na plataforma X nesta segunda-feira (6) os investimentos bilionários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cultura. De acordo com a ministra Margareth Menezes, em 2025, serão destinados R$ 15 bilhões para a Lei Aldir Blanc e R$ 3 bilhões para a Lei Rouanet.

O ex-capitão argumentou que esses recursos poderiam ser direcionados à infraestrutura. No entanto, durante seu governo, os investimentos no setor que ele afirma priorizar foram mínimos. Já na gestão atual, segundo dados oficiais, os investimentos em infraestrutura cresceram quase 200% em relação a 2022.

"O investimento na infraestrutura é rechaçada pela gestão lula e coincidentemente jamais cobrada conclusão por outros de outrora (sic). Enquanto isso, a Rouanet...", escreveu Bolsonaro na rede 

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A espectacular vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, neste domingo (5), não é apenas a consagração de uma excepcional interpretação em um baita filme baseado num livro para o qual faltam adjetivos. A luta de Eunice Paiva após seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, ser detido e morto pela ditadura que mandou no Brasil entre 1964 e 1985 é um lembrete ao mundo do que acontece quando golpes de Estado têm sucesso. E que eles não podem ser esquecidos, perdoados, anistiados.
“Ainda Estou Aqui”, sucesso de público no país, reconta um período de censura, violência, arbitrariedades e assassinatos diluindo a política no drama familiar. Dessa forma, traz sutilmente, e de forma eficaz, a questão da ditadura.
Por ser didático e focar na família, não fica restrito à bolha. E, o mais importante, muitos jovens que parecem ignorar que a democracia que herdaram custou o sangue, a tortura e a saudade de muita gente. Não raro, caem nas mentiras daqueles que dizem que professores e universidades não servem para nada.
Mas a interpretação de Eunice Paiva por Fernanda Torres também conta uma história universal ao mostrar as consequências na vida cotidiana das famílias que se tornam alvos da violência de regimes ditatoriais. Com a ascensão de governos autoritários, a história escrita por Marcelo Rubens Paiva e adaptada para as telas por Walter Salles é local e global ao mesmo tempo.
Para quem torce o nariz dizendo que esse debate é “politizar” o filme, sugiro que o assista. Se contar a trajetória de uma mulher que luta para que a ditadura assuma o que fez com o marido e para cuidar da família após o desaparecimento dele não é político, então nada mais é.
A torcida avassaladora por Fernanda Torres nas redes sociais, que obliterou uma campanha da extrema direita brasileira para atacar o governo brasileiro e passar pano para o genocídio comandando por Benjamin Netanyahu em Gaza, ajuda com que o filme seja visto por mais gente. E, portanto, o debate sobre o impacto dos anos de chumbo seja popularizado. Mesmo aqueles que xingaram a o filme, o livro, a atriz e até a sua mãe, Fernanda Montenegro, na noite deste domingo, ajudaram a bombar “Ainda Estou Aqui”. Obrigado, extremistas.
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