sexta-feira, 27 de março de 2026

27 de março – Dia Internacional do Teatro – Cadê o teatro pujante que se fazia em Aracaju em priscas eras?

Por que ninguém fala nada sobre a reforma do Teatro Lourival Baptista? Nem o governo e nem a oposição. Por que não há manifestação do curso de Teatro da UFS a esse respeito? E o Teatro Juca Barreto, do Cultart? E a imprensa: qual o órgão que destacou ou irá destacar a data de hoje, inclusive tratando do fechamento do Teatro Lourival Baptista com reformas que foram prometidas há cerca de dez anos?

Por que São Cristóvão, considerada a cidade sergipana que mais investe em cultura — embora seja necessário dados estatísticos para podermos afirmar com precisão — não coloca a construção de um teatro no radar, ou mais do que isso, um complexo cultural que pode ser um CEU das artes?

Sem falar no papel do Sindicato dos Técnicos e Artistas em Artes e Espetáculos, o SATED, que pode até estar fazendo algo para lembrar a data de hoje.

Daquilo que eu posso responder, a grande novidade está chegando do interior, com o 2º Festival de Teatro do Alto Sertão Sergipano, uma iniciativa do Grupo de Teatro Raízes Nordestinas, com sede em Poço Redondo.

As respostas podem ser encaminhadas com links. Na pesquisa, encontrei essa matéria importante da Mangue Jornalismo publicada no ano de 2024.

Teatro Lourival Baptista vai fazer aniversário de seis anos de descaso e abandono. Governo do Estado renova a promessa de reforma do prédio para 2024

Cristian Góes, Maiara Ellen

https://manguejornalismo.org/teatro-lourival-baptista-vai-fazer-aniversario-de-seis-anos-de-descaso-e-abandono-governo-do-estado-renova-a-promessa-de-reforma-do-predio-para-2024/


Seis anos de descaso e abandono: promessa de reforma renovada para 2024 (Foto Maiara Ellen)

Depois de ser fechado no ano de 2018 com a promessa de uma reforma, o Teatro Lourival Baptista (rua Laranjeiras, bairro Getúlio Vargas, Aracaju) encontra-se totalmente abandonado pelo Governo do Estado.

A fachada desse histórico equipamento de cultura já revela o completo descaso. Até parece que foi jogada uma bomba no prédio. Não há porta e sobra sujeira, vidro espalhado, restos de mobília, mato em todo o lugar e artefatos quebrados por toda parte.

“Na semana passada, ao me deparar com o espaço, senti um aperto no peito diante da situação em que nossa casa se encontra. Recordações significativas afloraram, desde as peças que presenciei no Festival de Artes Cênicas de Sergipe até as exposições e os antigos cartazes dos grupos que já passaram por ali. É lamentável,” disse Rônison Costa de Jesus, professor de teatro e do grupo teatral Menores Unidos, de Laranjeiras.

Situação do Lourival Baptista: isto aqui é parte do teatro (Foto Maiara Ellen)

Após o Teatro Lourival Baptista ser fechado em 2018, o Governo do Estado anunciou no ano seguinte uma reforma que seria feita pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e pela Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop). 

O anúncio da restauração do espaço prometia segurança no prédio por 24 horas, a fim de evitar atos de vandalismo e roubo no local. No entanto, a obra não saiu e denúncias feitas por moradores há alguns anos relatam um total descaso. Além do abandono físico, testemunhas encontraram no meio do lixo caixas de arquivos contendo documentos e materiais que guardavam informações sobre as apresentações que ocorriam no teatro.

Fachada do Teatro Lourival Baptista: descaso e abandono (Foto Maiara Ellen)

Teatro Lourival Baptista vai completar 57 anos: a arte do descaso

O Lourival Baptista foi inaugurado em 1967, com o intuito de cumprir as demandas das atividades extraclasses do Instituto de Educação Rui Barbosa (IERB). A estrutura do teatro era composta por camarins, sala de leitura e pesquisa, galeria de arte, assim como um memorial dedicado à preservação da história das artes cênicas no estado.

No ano de 2003, o espaço foi aprimorado, requalificado e oficializado como teatro, sendo por anos a casa das mais diversas manifestações artísticas e culturais de Sergipe. Eram marcantes os cartazes dos eventos, as temporadas de grupos de espetáculos, exposições.

O descaso e o abandono não são exclusividade do Teatro Lourival Baptista, mas o reflexo do cenário artístico e cultural do estado. De acordo com informações já divulgadas pela Mangue Jornalismo, uma pesquisa no Sistema de Informações e Indicadores Sociais (SIIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que Sergipe foi o terceiro estado do Nordeste que menos investe em cultura, apenas 0,8%.

Rônison Costa também ressalta que a cidade de Laranjeiras já abrigou dois teatros, o Santo Antônio e o São Pedro, nos quais companhias nacionais e internacionais realizavam apresentações. Atualmente, ambos permanecem fechados. O professor enfatiza que a precarização do cenário artístico local parece ser proposital, já que a arte é uma ferramenta fundamental para promover educação, libertação e questionamento.

Para o ator Lindolfo Amaral, diretor do Grupo Imbuaça, o mais antigo teatro de rua do Brasil, é necessário ampliar o debate para além dos espaços artísticos já conhecidos popularmente. Ele defende a importância de voltar a atenção também para os centros culturais de desenvolvimento de artes nos bairros periféricos que, muitas vezes, encontram-se fechados ou sem programações em execução.

Amaral destaca a necessidade de avaliar essa questão de maneira mais ampla, questionando a presença de teatros nas cidades. Ele aponta, por exemplo, para a situação do Centro Cultural de Aracaju, que se encontra fechado, onde existe o Teatro João Costa, mas a falta de apresentação é evidente.

Além disso, o ator ressalta a existência de espaços como os Centro de Artes e Esportes Unificados (CEUs), um no bairro Lamarão e outro no 17 de março, destacando a incerteza quanto à realização de programações nesses locais.

“O CEU é um centro cultural construído com recursos federais, destinado a promover ações artísticas nas periferias das cidades. São espaços voltados para múltiplas linguagens, equipados com teatro. No entanto, é importante notar que possuímos diversos equipamentos, por vezes ociosos, e muitas vezes desconhecemos se estão em pleno funcionamento.” explicou Amaral.

Governo renova promessa de revitalização do teatro

Sobre o descaso, abandono e “reforma eterna” do Teatro Lourival Baptista, o Governo do Estado, por meio da Funcap, divulgou uma nota afirmando que os recursos para a reforma do teatro já estão disponibilizados para o ano de 2024.

“Em 2023, houve um trâmite de desistência da empresa contratada para a reforma, e atualmente a Funcap está cumprindo com as etapas necessárias para que seja anunciado o início das obras. O objetivo da reforma do Teatro Lourival Baptista é transformá-lo, também, em um espaço multiuso que beneficie a cultura e a educação.” diz a nota.

No ano de 2021, a direção da Funcap também havia emitido um comunicado informando que a intervenção no prédio do Teatro Lourival Baptista já havia sido incluída na previsão orçamentária de 2022, entretanto, o teatro segue abandonado.

Por que 27 de março é o dia internacional do teatro e do circo?

O dia 27 de março celebra essas duas artes por motivos distintos, unindo uma efeméride de alcance global a uma homenagem nacional brasileira. 

Dia Mundial do Teatro 

A data foi estabelecida em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI), ligado à UNESCO. 

Origem: A escolha marca a inauguração da temporada do "Teatro das Nações", em Paris, ocorrida em 27 de março de 1962.

Propósito: Promover a arte dramática em todo o mundo, destacar seu valor cultural e incentivar o compartilhamento de conhecimentos entre comunidades teatrais. Todo ano, uma figura proeminente da cultura escreve uma mensagem internacional para a data; a primeira foi de Jean Cocteau. 

Dia Nacional do Circo (Brasil)

Embora muitas vezes referido junto ao Dia Mundial do Teatro, o Dia do Circo em 27 de março é uma comemoração específica do Brasil. 

Homenagem: A data foi escolhida para celebrar o nascimento de Abelardo Pinto, o palhaço Piolin, que nasceu em 27 de março de 1897.

Importância: Piolin é considerado um dos maiores palhaços da história brasileira, tendo sido aclamado inclusive pelos intelectuais da Semana de Arte Moderna de 1922 por sua habilidade técnica e criatividade. 

Desde a sua criação em 1962, o Dia Mundial do Teatro é marcado por uma mensagem escrita por uma personalidade de destaque, convidada pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI) para refletir sobre a arte e a paz. 

Aqui estão algumas das mensagens mais marcantes e seus temas centrais:

Mensagens Históricas e Atuais

Jean Cocteau (1962): O poeta e cineasta francês escreveu a primeira mensagem da história, destacando que o teatro é um fenômeno de "encontro" único entre palco e plateia.

Augusto Boal (2009): Único brasileiro a escrever a mensagem internacional. O criador do Teatro do Oprimido defendeu que "ser humano é ser ator", pois todos agimos e observamos no palco da vida.

Dario Fo (2013): O Nobel italiano usou sua mensagem para criticar cortes na cultura, satirizando o poder com o espírito dos antigos bobos da corte e artistas populares.

Jon Fosse (2024): O autor norueguês intitulou sua mensagem "A Arte é Paz", enfatizando como o teatro celebra o que é único em cada pessoa e, ao mesmo tempo, o que é universal na humanidade.

Theodoros Terzopoulos (2025): O diretor grego focou no teatro como uma forma de resistência espiritual e memória em tempos de crise.

Willem Dafoe (2026): O aclamado ator destacou o papel vital do teatro em um mundo fragmentado pela tecnologia, descrevendo o palco como um espaço essencial para o encontro humano real e a imaginação coletiva. 

Outros Autores Renomados

A lista de autores inclui nomes que moldaram a cultura do século XX e XXI, como:

Arthur Miller (1963)

Pablo Neruda (1971)

Judi Dench (2010)

John Malkovich (2012)

Isabelle Huppert (2017)

Helen Mirren (2021) 


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