domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mostra Cinema e Direitos Humanos na Escola Estadual Júlia Teles.



 


O Ponto de Cultura Juventude e Cidadania/Ação Cultural foi escolhido para ser um dos pontos de exibição da iniciativa Democratizando  - Mostra Nacional Cinema e Direitos Humanos.

Esta ação é uma ramificação da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, cujo objetivo  é estabelecer um diálogo franco e direto com o povo brasileiro sobre seus direitos fundamentais. Mais do que assistir a filmes, trata-se de um convite ao debate, à reflexão, para construirmos juntos um país que valorize a diversidade e garanta o respeito aos Direitos Humanos.

A atividade  será realizada em parceria com a Escola Estadual Júlia Teles, localizada no Conjunto Jardim, município de Nossa Senhora do Socorro. 

Antes da apresentação dos filmes da mostra, também será apresentado curtas, produzidos pelo Ponto de Cultura Juventude e Cidadania e pelo Projeto Inventar com a Diferença, resultado das oficinas de audiovisual realizadas com alunos (as) da Escola Júlia Teles.

O acesso para assistir a mostra  Democratizando  - Cinema e Direitos Humanos é totalmente gratuito e conta com uma seleção de filmes em formato digital, com  opção de  utilização de closed caption e audiodescrição, além de legendas para cinco idiomas: árabe, espanhol, inglês, francês e mandarim.

“A Vizinhança do Tigre”, de Affonso Uchoa; “Cabra Marcadopra Morrer”, de Eduardo Coutinho, “Pelas Janelas”, de Carol Perdigão, Guilherme Farkas, Sofia Maldonado e Will Domingos; “Que Bom te Ver Viva”, de Lúcia Murat; “Rio Cigano”, de Júlia Zakia; e “Sophia”, de Kennel Rógis são os filmes que compõem a mostra.

A Ação Cultural foi criada em 2004, porém, antes disso, o grupo fundador já se organizava como um coletivo de produção cultural. No que se refere à área geográfica, a principal base de atuação é o Conjunto Jardim (município de Socorro), onde é realizado oficina de audiovisual com estudantes de escolas públicas. 

Através destas oficinas,  é buscado a  formação de um  olhar voltado para a necessidade de mostrar como pensa e vive a juventude que mora na periferia. Um novo olhar assumido pelos jovens participantes da oficina e por aqueles  que assistem ao resultado final do trabalho. Outro objetivo é alargar o campo de visão dos meninos e meninas envolvidos na oficina  no que se refere a valores estéticos e éticos, buscando transformar a realidade de exclusão e invisibilidade em que vivem.

Além disso,  a Ação Cultural realiza iniciativas culturais itinerantes em outros bairros de Aracaju e em outros municípios da região metropolitana.   Uma das atividades é a exibição de produções de longa metragem, curtas e animação  através do formato cineclube, realizado de forma esporádica em escolas, na sede da Ação Cultural e em salões comunitários de igrejas.


 A exibição acontecerá em março e as datas e horários serão divulgados brevemente..

PRODUÇÃO DE CURTAS DO PONTO DE CULTURA & PROJETO INVENTAR COM A DIFERENÇA.
 









Produção Cultural nas Escola no facebook

https://www.facebook.com/groups/1527148180872626/

Nicolas Shumway - Curso de Especialização em Gestão Cultural (2014) - Parte 1/4



Publicado em 27 de nov de 2014
Na primeira parte dessa conversa, o professor e diretor do Instituto de Humanidades da Rice University, Nicolas Shumway, fala sobre o liberalismo e explica que suas origens remontam à república romana, embora o termo tenha surgido posteriormente e afirma também que a Constituição norte-americana é um dos principais documentos representativos desse conceito. Alfons Martinell apresenta um breve histórico do liberalismo na Espanha e seus reflexos na cultura. Também conversam sobre os conceitos de liberdade cultural e censura na Espanha e nos Estados Unidos.

Com Teixeira Coelho (Brasil) - professor titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), sete anos curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo (MASP), consultor do Observatório Itaú Cultural (São Paulo, Brasil) -, Alfons Martinell (Espanha) - diretor da Cátedra UNESCO de Políticas Culturales y Cooperación da Universidade de Girona (Espanha) e consultor do Observatório Itaú Cultural - e Nicolas Shumway, diretor da Escola de Humanidades da Rice University, com passagens pela Yale University, Universidade do Texas e Universidade de São Paulo, onde lecionou cursos sobre história da América Espanhola.

Gravado em 26 de setembro de 2014, no Itaú Cultural, São Paulo/SP, durante o Curso de Especialização em Gestão Cultural, realizado pelo Instituto Itaú Cultural em parceria com a Universidade de Girona (Espanha).

Créditos:
Gerente do Núcleo de Inovação: Marcos Fernandez Cuzziol
Coordenadora do Núcleo de Inovação: Luciana Modé
Gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Claudiney Ferreira
Coordenadora de Conteúdo Audiovisual: Kety Fernandes Nassar
Produção Audiovisual: Camila Fink
Captação e edição: Gasolina Filmes

Veja as outras partes do depoimento de Nicolas Shumway:
Parte 1 - https://www.youtube.com/watch?v=IDRE0...
Parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=Ugcfu...
Parte 3 - https://www.youtube.com/watch?v=gIV_9...
Parte 4 - https://www.youtube.com/watch?v=3BZQs...

A escola dos meus sonhos

 http://www.freibetto.org/index.php/artigos/14-artigos/25-a-escola-dos-meus-sonhos

Na escola de meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, conhecer mecânica de automóvel e de geladeira, e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra.

Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim, aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões subterrâneas que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.

Não há temas tabus. Todas as situações-limites da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a física, nas corridas da Fórmula 1 e pesquisas do supertelescópio Hubble; a química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a história, na violência de policiais a cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores-índios, senhores-escravos, Exército-Canudos etc.

Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de biologia e de educação física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a história do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e de dança, e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.
Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo; o pai-de-santo do candomblé; o padre do catolicismo; o médium do espiritismo; o pastor do protestantismo; o guru do budismo etc. Se for católica, promove retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja.

Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazerem periódicos treinamentos e cursos de capacitação, e só são admitidos se, além da competência, comungam com os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido sobre o que são democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.

Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto, adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde.

O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente; a visão de felicidade; a relação animador-platéia; os tabus e preconceitos reforçados etc. Em suma, não se fecha os olhos à realidade; muda-se a ótica de encará-la.

Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e um mês por ano setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.

Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil os alunos traziam à classe toda a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar.

Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e recursos.
É mais importante educar que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que a ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito, e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.

Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para poderem se manter. Pois é a escola de uma sociedade onde educação não é privilégio, mas direito universal e, o acesso a ela, dever obrigatório.

 Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática), entre outros livros.

DIversidade Cultural


Ação Cultural como Produção de Subjetividade


O Seu Olhar...