domingo, 22 de fevereiro de 2015

Produção Cultural nas Escola no facebook

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Nicolas Shumway - Curso de Especialização em Gestão Cultural (2014) - Parte 1/4



Publicado em 27 de nov de 2014
Na primeira parte dessa conversa, o professor e diretor do Instituto de Humanidades da Rice University, Nicolas Shumway, fala sobre o liberalismo e explica que suas origens remontam à república romana, embora o termo tenha surgido posteriormente e afirma também que a Constituição norte-americana é um dos principais documentos representativos desse conceito. Alfons Martinell apresenta um breve histórico do liberalismo na Espanha e seus reflexos na cultura. Também conversam sobre os conceitos de liberdade cultural e censura na Espanha e nos Estados Unidos.

Com Teixeira Coelho (Brasil) - professor titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), sete anos curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo (MASP), consultor do Observatório Itaú Cultural (São Paulo, Brasil) -, Alfons Martinell (Espanha) - diretor da Cátedra UNESCO de Políticas Culturales y Cooperación da Universidade de Girona (Espanha) e consultor do Observatório Itaú Cultural - e Nicolas Shumway, diretor da Escola de Humanidades da Rice University, com passagens pela Yale University, Universidade do Texas e Universidade de São Paulo, onde lecionou cursos sobre história da América Espanhola.

Gravado em 26 de setembro de 2014, no Itaú Cultural, São Paulo/SP, durante o Curso de Especialização em Gestão Cultural, realizado pelo Instituto Itaú Cultural em parceria com a Universidade de Girona (Espanha).

Créditos:
Gerente do Núcleo de Inovação: Marcos Fernandez Cuzziol
Coordenadora do Núcleo de Inovação: Luciana Modé
Gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Claudiney Ferreira
Coordenadora de Conteúdo Audiovisual: Kety Fernandes Nassar
Produção Audiovisual: Camila Fink
Captação e edição: Gasolina Filmes

Veja as outras partes do depoimento de Nicolas Shumway:
Parte 1 - https://www.youtube.com/watch?v=IDRE0...
Parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=Ugcfu...
Parte 3 - https://www.youtube.com/watch?v=gIV_9...
Parte 4 - https://www.youtube.com/watch?v=3BZQs...

A escola dos meus sonhos

 http://www.freibetto.org/index.php/artigos/14-artigos/25-a-escola-dos-meus-sonhos

Na escola de meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, conhecer mecânica de automóvel e de geladeira, e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra.

Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim, aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões subterrâneas que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.

Não há temas tabus. Todas as situações-limites da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a física, nas corridas da Fórmula 1 e pesquisas do supertelescópio Hubble; a química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a história, na violência de policiais a cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores-índios, senhores-escravos, Exército-Canudos etc.

Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de biologia e de educação física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a história do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e de dança, e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.
Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo; o pai-de-santo do candomblé; o padre do catolicismo; o médium do espiritismo; o pastor do protestantismo; o guru do budismo etc. Se for católica, promove retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja.

Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazerem periódicos treinamentos e cursos de capacitação, e só são admitidos se, além da competência, comungam com os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido sobre o que são democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.

Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto, adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde.

O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente; a visão de felicidade; a relação animador-platéia; os tabus e preconceitos reforçados etc. Em suma, não se fecha os olhos à realidade; muda-se a ótica de encará-la.

Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e um mês por ano setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.

Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil os alunos traziam à classe toda a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar.

Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e recursos.
É mais importante educar que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que a ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito, e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.

Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para poderem se manter. Pois é a escola de uma sociedade onde educação não é privilégio, mas direito universal e, o acesso a ela, dever obrigatório.

 Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática), entre outros livros.

DIversidade Cultural


Ação Cultural como Produção de Subjetividade


O Seu Olhar...


Pelo reencantamento do mundo: Mia Couto




Mia Couto, escritor moçambicano conhecido em todo o mundo, fala sobre de importância de não podarmos o encantamento, a capacidade de fascinação, de êxtase diante das pequenas coisas.
Fala da necessidade de reencantarmos o mundo, tomando por empréstimo o olhar das crianças.

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