domingo, 22 de fevereiro de 2015

DIversidade Cultural


Ação Cultural como Produção de Subjetividade


O Seu Olhar...


Pelo reencantamento do mundo: Mia Couto




Mia Couto, escritor moçambicano conhecido em todo o mundo, fala sobre de importância de não podarmos o encantamento, a capacidade de fascinação, de êxtase diante das pequenas coisas.
Fala da necessidade de reencantarmos o mundo, tomando por empréstimo o olhar das crianças.

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O que precisa ser incorporado ao processo de educação

Leornardo Boff


21/02/2015


Geralmente o processo educativo da sociedade com suas instituições como a rede de escolas e de universidades estão sempre atrasadas em relação às mudanças que acontecem. Não antecipam eventuais processos e custam-lhes fazer as mudanças necessárias para estar à altura deles.

Entre outras, duas são as grandes mudanças que estão ocorrendo na Terra: a introdução da comunicação global via internet e redes sociais e a grande crise ecológica que põe em risco o sistema-vida e o sistema-Terra. Podemos eventualmente desaparecer da face da Terra. Para impedir esse apocalipse a educação deve ser outra, diversa daquela que dominou até agora.

Não basta o conhecimento. Precisamos de consciência: uma nova mente e um novo coração. Precisamos também de uma nova prática. Urge nos reiventar como humanos, no sentido de inaugurar uma nova forma de habitar o planeta com outro tipo de civilização. Como dizia muito bem Hannah Arendt:”podemos nos informar a vida ainteira sem nunca nos educar”. Hoje temos que nos reeducar e no reinventar como humanos.

Por isso, acrescento às dimensões acima referidas, estas duas: aprender a cuidar e aprender a se espiritualizar.

Mas antes faz-se mister, previamente, resgatar a inteligência cordial, sensível ou emocional. Sem ela, falar do cuidado e da espiritualidade faz pouco sentido. A causa reside no fato de que todo sistema moderno de ensino se funda na razão intelectual, intrumental e analítica. Ela é uma forma de conhecer e de dominar a realidadade, fazendo-a mero objeto. Sob o pretexto de que a razão sensível impediria a objetividade do conhecimento, foi recalcada. Com isso surgiu uma visão fria do mundo. Ocorreu uma espécie de lobotomia que nos impede de nos sentir parte da natureza e de perceber a dor os outros.

Sabemos que a razão intelectual, como a temos hoje, é recente, possui cerca de 200 mil anos quando surgiu o homo sapiens com seu cérebro neo-cortical. Mas antes dele, surgiu há cerca de 200 milhões de anos, o cérebro límbico, por ocasião da emergência dos mamíferos. Com eles, entrou no mundo o amor,o cuidado, o sentimento que se devotam à cria. Nós humanos, esquecemos que somos mamíferos inteletuais. Logo, somos fundamentalmente portadores de emoções, paixões e afetos. No cérebro límbico reside o nicho da ética, dos sentimentos oceânicos como os religiosos. 

Antes ainda há 300 milhões de anos, irropeu o cérebro reptilínio que responde por nossos reaçõs instintivas; mas não é o caso de abordá-lo aqui.

O que importa é que hoje temos que enriquecer nossa razão intelectual com a razão cordial, muito mais ancestral, se quisermos fazer valer o cuidado e a espiritualidade.

Sem essas duas dimensões não iremos nos mobilizar para cuidar da Terra, da água, do clima, das relações inclusivas. Precisamos cuidar de tudo, sem o que as coisas se deterioram e perecem. E então iríamos encontro de um cenário dramático.

Outra tarefa é resgatar a dimensão da espiritualidade. Ela não deve ser identificada com a religião. Ela subjaz à religião porque é anterior a ela. A espiritualidade é uma dimensão inerente ao ser humano como a razão, a vontade e sexualidade. É o lado do profundo, de onde emergem as questões do sentido termnal da vida e do mundo.

Infelizmente estas questões foram tidas como algo privado e sem grande valor. Mas sem sua incorporação, a vida perde irradiação e alegria. Mas há um dado novo: os neurólogos concluiram que sempre que o ser humano aborda estas questões do sentido, do sagrado e de Deus, há uma aceleração sensível nos neurônios do lobo frontal. Chamaram a isso “ponto Deus” no cérebro, uma espécie de órgão interior pelo qual captmos a Presença de uma Energia poderosa e amorosa que liga e re-liga todas as coisas.

Avivar esse “ponto Deus” nos faz mais solidários, amorosos e cuidadosos. Ele se opõe ao consumismo e materialismo de nossa cultura. Todos, especialmente os que estão na escola, devem ser iniciados nessa espiritualdidade, pois nos torna mais sensíveis aos outros, mais ligados à mãe Terra, à natureza e ao cuidado, valores sem os quais não garantiremos um futuro bom para nós.

Inteligência cordial e espiritualidade são as exigências mais urgentes que a a tual situação ameaçadora nos faz.

Leonardo Boff é colunista do JBonline e escreveu Saber cuidar, Vozes 2000 e O cuidado necessário e Vozes 2013.

“Chegou a hora da gente reinventar a escola!”


Há alguns dias li  em minha TL do facebook, a frase que abre uma declaração em vídeo do professor de Historia e deputado federal pelo PSOL-RJ. “Chegou a hora da gente reinventar a política!” A mesma se aplica a escola, que precisa apressar o passo para chegar ao século XXI. 
 
Penso que transformar a metodologia de projetos, na “metodologia” comum, ordinária ou a rotina pedagógica da escola, seja o melhor caminho. Lá na frente ajuda a reinventar a própria cidade, a pólis ou a própria politica. 
 
Um desafio certamente, será rever os desenhos dos prédios, do modelo pedagógico, como no exemplo da metodologia de projetos já citado, a necessidade de investimento em profissionais da arte e da comunicação para dar suporte direto e indireto a professores e alunos, rever a divisão restrita ou estrita a disciplinas, rever a divisão restrita ou estrita aos 50 minutos de aula.
 
Imprescindivel que estas mudanças aconteçam primeiro na mente dos profissionais ligados a educação, incluindo professores e gestores, para depois se estender a todo o universo escolar. Daí a importância de processos formativos como o Pacto do Ensino Médio, por exemplo.
 
Embora, na mente de muitos alunos outro modelo de escola já esteja latente, considerando o fato de terem nascido nos anos finais do século XX ou neste anos iniciais do século XXI.
 
E se estamos falando de mudanças radicais, mesmo que de forma minoritária ainda, temos nas empresas de tecnologia do vale do silício, inclusive o google, um exemplo das mudanças necessárias que incluem uma série de fatores, como defendo acima.
 
Da mesma forma, encontramos este pensamento, em acao na Escola da Ponte, iniciada em Portugal e com ramificações no Brasil.
http://depoisdaaula.blogspot.com.br/.../o-lado-escuro-da...
 
Detalhe: A metodologia empregada no curso de verão na PUC-SP, no qual tomei parte nestes últimos dois anos, janeiros de 2014 e 2015,  é impregnada de referenciais defendidos
pelo nosso Paulo Freire e pelo educador português José Pacheco.  Por isso, jogo todas as minhas fichas nos processos de mudanças culturais por meio da (in)formação, intercâmbio e imersão afetiva e pedagógica em outros ambientes e contextos culturais.


Zezito de Oliveira